sábado, 4 de novembro de 2017

PERGUNTA 19 - Mt 27:3-5 afirma que Judas por ocasião de sua morte saiu para se enforcar e At 1:18-19, que precipitou-se. Como harmonizar estes textos? Judas Iscariotes, o traidor de Jesus, se enforcou ou morreu numa queda?



Textos em  questão:
Mt 27:3-5: Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo.
E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.

At 1:18-19: Ora, este adquiriu um campo com o galardão da iniquidade; e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. E foi notório a todos os que habitam em Jerusalém; de maneira que na sua própria língua esse campo se chama Aceldama, isto é, Campo de Sangue.

Teses sustentadas:
- Judas morreu enforcado;
- Judas morreu no precipício;
- Judas morreu enforcado e se precipitou em seguida;
- Judas morreu enforcado e inchou-se dias depois;
- A bíblia estaria se contradizendo;

Algumas observações importantes fazem o comentarista WILLIAM HENDRIKSEN:  “Não é claro por que isso deve considerar-se como estando em conflito com o relato de Lucas: “e precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram” (At 1.18). Se ele se enforcou em uma árvore situada sobre um alto penhasco, acima do vale, e se então a corda rompeu-se e o traidor caiu sobre o terreno rochoso, então o resultado bem que poderia ser o descrito no livro de Atos. Naturalmente, essa tentativa de harmonização pode ser errônea. Pode haver uma outra e melhor explicação, mas pelo menos não há razão alguma para gritar: “Discrepância!” (Com. Do NT WILLIAM HENDRIKSEN –Mateus, vol. 2, pág. 624).

Outros comentaristas fazem observações importantes:
“Três tradições independentes acerca da morte de Judas circulavam na comunidade cristã. Mateus transmitiu uma dessas tradições. Uma segunda provém da passagem diante de nós, em Atos. Eusébio de Cesaréia registra uma terceira, que recebeu dos escritos de Papias, Bispo de Hierápoüs (c. 128 d.C.). Mateus introduz a sua história acerca do suicídio de Judas, dizendo que ele se enforcou enquanto Jesus foi enviado para apresentar-se diante de Poncio Pilatos (27:3-10). O relato de Lucas dá um intervalo de tempo, pelo menos suficiente para que Judas comprasse uma propriedade.
De acordo com Atos, Judas adquiriu uma propriedade. Ele caiu e arrebentou pelo meio. Todos os seus órgãos internos se derramaram. Devido ao fato de o sangue de Judas ter-se derramado sobre a propriedade, o povo de Jerusalém passou a chamá-la Acéldama, isto é, Campo de Sangue. Mateus apresenta outra razão para o nome do campo. Depois que Jesus foi preso pelas autoridades judaicas, e levado perante Pilatos, Judas entristeceu-se pelo que havia feito. Voltou aos sacerdotes, declarou que havia traído sangue inocente, e lançou as trinta moedas de prata no piso do Templo. Depois, retirou-se e enforcou-se. Os sacerdotes deliberaram acerca do assunto de como dispor do dinheiro e, finalmente, compraram um campo, que converteram em cemitério para estrangeiros. O lote de terra tornou-se o que chamaríamos de “Colina das Despedidas”. A tradição de Papias assevera que Judas inchou e foi esmagado em uma rua estreita por uma carreta.” – (Com. Bíb. Broadman, vol. 10, pág. 37).
“Sua recusa fê-lo (talvez depois de um intervalo de demorada reflexão) arremessá-lo para o santuário (naos) do templo. Foi enforcar-se. Este detalhe e os seguintes não contradizem Atos 1:18, 19. São possíveis diversos modos de harmonização.” – (Com. Moody, com. De Mateus, pág. 142).

“Embora os três Evangelhos Sinóticos falem do pacto que Judas Iscariotes fez com os príncipes dos sacerdotes para trair Jesus, e os três registrem a traição, somente Mateus narra o remorso e o suicídio do traidor.” – (Comentário Beacon, vol. 6, pág. 182)

Não concordamos com a posição de Warren W. Wiersbe
“Atos 1:18,19 ajuda a esclarecer esses acontecimentos. Judas afastou-se sozinho, lamentando profundamente seu crime e, por fim, enforcou-se. Ao que parece, o corpo só foi descoberto alguns dias depois, pois foi encontrado inchado e com as entranhas expostas, possivelmente porque o galho da árvore onde o suicida havia se amarrado tinha quebrado, e a queda tinha ocasionado a ruptura do cadáver.” – (Com. Bíb. Expositivo do NT, vol. 1, pág. 130).

 “Judas viu que suas súplicas eram em vão e precipitou-se da sala, exclamando: É tarde! É tarde! Sentiu que não poderia viver para ver Jesus crucificado e, em desespero, foi enforcar-se.
Mais tarde, naquele mesmo dia, a caminho da sala de Pilatos para o Calvário, houve uma interrupção nos gritos e zombaria da turba ímpia que levava Jesus ao lugar da crucifixão. Ao passarem por local retirado, viram ao pé de uma árvore, sem vida, o corpo de Judas. Era uma cena horripilante. Seu peso rompera a corda em que se pendurara à árvore. Ao cair, rebentara-se-lhe terrivelmente o corpo, e cães o estavam agora devorando. Seus restos foram imediatamente enterrados e ocultos às vistas; houve, porém, menos escárnios entre a turba e muitos rostos pálidos revelavam os pensamentos interiores.” – (DTN 722-723).
   “Quando Judas percebeu que suas súplicas não dariam resultado, saiu correndo da sala, gritando: "É tarde, é tarde demais!" Sentiu que não podia suportar a crucifixão de Jesus e, em desespero, foi e enforcou-se. 
    Mais tarde, naquele mesmo dia, quando conduziam Jesus do tribunal de Pilatos ao Calvário, as zombarias e os insultos da turba vil foram interrompidos quando passaram por um lugar ermo e viram, junto a uma árvore seca, o corpo sem vida de Judas. 
    Era um quadro repugnante. O peso do corpo havia rompido a corda e, ao cair, mutilara-se horrivelmente. Os cães agora o devoravam. Os restos foram imediatamente enterrados longe da vista de todos. A zombaria, porém, diminuiu e o rosto pálido de muitos revelava os fortes temores de seu íntimo”. – (VJ 122).
Conclusão: Alguns autores, como Mateus Henry, parecem defender que Judas teria morrido enforcado. A posição de Ellen White é a mesma ou parecida com as defendidas por WILLIAM HENDRIKSEN, Broadman, Moody, Beacon, R. N. Champlin etc.

PERGUNTA 18 - Ao que Deus criou primeiro: à terra ou aos anjos?



GC 511: “Antes da criação do homem, existiam anjos; pois, quando os fundamentos da Terra foram lançados, "as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam". Jó 38:7.”

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

TEMA 12 - Quem é o Arcanjo Miguel?



Introdução
- Os anjos tem, individualmente, diferentes capacitações e hierarquias (veja Querubim;
Serafim), e são altamente organizados (Rm 8.38; Ef 1.21; 3.10; Cl 1.16), Dois dos anjos
mais importantes sao Gabriei (Dn 8.16; 9.21; Lc 1.19,26) e Miguel, o arcanjo (Dn 10.13,21; 12.1; Judas 9; Ap 12.7). – (Dic. Wycliffe, pág. 138).


Significado de Arcanjo na bíblia

A palavra arcanjo aparece duas vezes na bíblia.
*I Ts 4:16;
*Jd 1:9;.
- “Arc” provém do prefixo grego archi, mas palavras correlatas como arché e archon também devem ser consideradas.
Arche significa princípio e também envolve idéia de governo e autoridade. É traduzida como “governo” em I Coríntios 15:24 na bíblia inglesa King James; por “principado” em Efésios 1:21 e “primeiros rudimentos” em Hebreus 5:12. Archon significa “príncipe”, “governador”. Arche e archon às vezes são empregados em relação a nosso Senhor, como na expressão “Anjo do Senhor”. Arche é empregado messianicamente em Isaías 9:6, onde na Septuaginta (tradução de Bagster) é vertido por “governo” na expressão “cujo governo” [arche] está sobre Seus ombros [do Messias].
No Novo Testamento, nosso Senhor Jesus é chamado “o princípio” [arche] (Cl 1:18), também “Alfa e Ômega”, o princípio [arche] (Apoc; ver também Ap 22:13).
Archon é frequentemente traduzido por “governador”, “príncipe”, etc. Contudo é empregado uma vez no Novo Testamento em relação a Jesus, “o soberano” [archon] dos reis da Terra” Ap 1:5).
            Archon é por vezes empregado em sentido messiânico, e assim se refere a Cristo nosso Salvador. Ele é um “príncipe [archon] e governador dos povos” (Is 55:4) Ele é Aquele que será “condutor [archon] em Israel” (Mq 5:2, versão Septuaginta de Bagster).
            Outra palavra grega com o mesmo prefixo archi é archegos, derivada de archi e hegeomai ou ago – “conduzir”, etc.
O termo archegos como se encontra na Septuaginta é geralmentevertido pela tradução de Bagster como “cabeça”, “capitão”, “chefe”, “governador”, “príncipe”, etc.
No Novo Testamento, porém, é empregado unicamente com referência a nosso Senhor. Ele é referido como Capitão – “o capitão [archegos] da salvação deles” (Hb 2:10); como autor – “o autor [archegos] da fé Hb 12:2; algumas versões trazem à margem a observação “iniciador”; como Príncipe. – “Príncipe [archegos] e Salvador” At 15:31); e “Autor [archegos] da vida” (At 3:15, à margem “autor”).
O estudo das palavras gregas acima demonstra que, por vezes, eles foram aplicados a Cristo nosso Senhor; mais ainda, que archegos no Novo Testamento em todos os casos se aplica a Jesus.
            À luz do que foi exposto, cremos que “o divino Filho de Deus, um de cujos títulos é “Miguel, o arcanjo”, é o dirigente dos exércitos angelicais. Para nós, , contudo, de modo algum Lhe subtrai a divindade, como também não Lhe subtraiu o fato de ter se tornado homem e assumido nossa carne...
Nos escritos judaicos, Miguel é reconhecido como o Advogado em Israel, o mediador em muitas maneiras. – (Questões sobre Doutrinas, pág. 90 e 91).

Quero transcrever duas afirmações importantes do Comentário Bíblico Adventista:
CBA, Vol. 7, pág. 250, comentário de I Ts 4:16: “Arcanjo. Do gr. Archaggelos “anjo principal”, “primeiro anjo”, composto de archi, um prefixo que denota “liderança” ou “importância”, e aggelos, anjo, portanto, “o líder dos anjos”. No NT, a palavra archaggelos ocorre apenas aqui e em Judas 9, em que Miguel é declarado arcanjo. Este comentário apóia o ponto de vista de que Miguel é nosso Senhor, Jesus Cristo...”
CBA, Vol. 7, pág. 896, comentário de Ap 12:7: Miguel. Do gr. Michael, transliteração do heb. Mika’el, que significa “quem [é] como Deus?” Miguel é chamado de “um dos primeiros príncipes” (Dn 10:13), “o grande príncipe (Dn 12:1) e também de “o arcanjo” (Jd 9). A literatura judaica descreve Miguel como o maior dos anos, o verdadeiro representante de Deus e O identifica como o anjo de Yahweh...Uma análise das passagens bíblicas sobre Miguel leva à conclusão de que Ele é o próprio Senhor e Salvador Jesus Cristo...

- Arcanjo: significa: “primeiro anjo” ou “anjo principal”;

Significado de Miguel na bíblia
O vocábulo Miguel aparece cinco vezes na bíblia.
*Dn 10:13;
*Dn 10:21;
*Dn 12:1;
*Jd 1:9;
*Ap 12:7;
- Miguel: significa “quem é semelhante a Deus”;
No hebraico, “semelhante” significa “igual” (ver João 5:18; 19:7).

            Na bíblia, apenas Jesus ou Satanás são apresentados como príncipes (Js 5:14 e 15; Is 9:6; Dn 8:11 e 25; 9:25; At 5:31; Jo 12:31; 14:30; 16:11 Ef 2:2). Em Dn 8:11, 25, 10:13, 21, 12:1 há referências explícitas a Jesus como príncipe e em Ap 12:1, há uma alusão implícita. Interessante é que não são apenas os Adventistas do Sétimo Dia que identificam Miguel com o Senhor Jesus Cristo. Comentaristas como João Calvino, Matthew Henry, entre outros, tiveram a mesma opinião! Também é importante salientar que a mesma Bíblia que chama a Miguel de “um dos primeiros príncipes” diz ser Ele “o vosso príncipe” (Daniel 10:21) e “o grande príncipe” (Daniel 12:1). Comparando esses textos com Isaías 9:6 e Atos 5:31, não podemos ter dúvidas de que o Ser aí mencionado é Cristo (Mark Finley em Revelando os Mistérios do Apocalipse, 125).
            “A literatura judaica descreve a Miguel como o mais elevado dos anjos, o verdadeiro representante de Deus, e o identifica como “anjo de Yahweh”, o qual se menciona com frequência no Antigo Testamento como um ser divino” (Dicionário Bíblico Adventista do 7º Dia [CD ROM, espanhol).

            Na literatura pseudo-epígrafa, por exemplo, Miguel é apresentado como um dos sete anjos celestiais (1 Enoque 20:1 a 7; 81:15; 90:21 e 22; Tobias 12:15), e um dos quatro que se encontram mais próximos do trono de Deus (1 Enoque 9:1; 40:1 a 10; 54:6; 71:8, 9 e 13). Essas tradições extrabíblicas têm sido usadas por muitos comentaristas contemporâneos para alegar que Miguel é apen.as um anjo, criado por Deus, que exerce a função de principal líder das hostes angélicas (citado em http://www.biblia.com.br/perguntas-biblicas/arcanjo/quem-e-o-arcanjo-miguel/).
“MIGUEL, O ARCANJO. Nome e título de um ser celestial mencionado em Judas 9 como estando a contender com o diabo a respeito do corpo de Moisés. O nome Miguel ocorre também em Daniel 10:13, 21; 12:1 como um dos “primeiros príncipes” dos judeus, que tinha estado a ajudar a Gabriel na corte da Pérsia, quem somente concedeu a Gabriel o conhecimento do futuro e que livraria o povo de Daniel de seus inimigos no fim do tempo. O contexto requer que Miguel seja considerado como um ser sobrenatural. Em Apoc. 12:7, Miguel ordena as forçar angélicas na grande batalha no céu que resultou na expulsão de Lúcifer e seus anjos. Em cada caso o nome ocorre no contexto do conflito com Satanás. Clemente de Alexandria, Orígenes e Dídimo se referem a Judas 9 como uma citação do pseudepígrafo Assunção de Moisés, grandes porções do qual, porém, não contêm tal declaração.
Os *Mileritas e outros definiram Miguel, o Arcanjo, com Cristo. Em uma exposição de Dan. 12:1 *Guilherme Miller escreveu: “Miguel, nesta passagem, deve significar Cristo; Ele é o grande Príncipe, e Príncipe dos príncipes” (Evidences From Scripture and History of the Second Coming of Christ, 1840, pp. 108, 209). Outros comentários estabelecem três principais argumentos para defender Miguel como simplesmente outro nome de Cristo: (1) A declaração em Judas 9. (2) A voz de Cristo é a voz do Arcanjo (I Tim. 4:16). (3) Miguel é chamado um príncipe (Dan. 12:1) como Cristo o é (Is. 9:6, 7; Ez. 37:25; Dan. 8:25; 9:25; At. 5:30, 31) (F. H. Berick, The Lord Soon to Come, pp. 137-139{1854}).
A maioria dos ASD têm defendido que Miguel é o Cristo. Baseado nessa e outras passagens das *Escrituras, os ASD concluem que Miguel não é outro senão Cristo - “Arcanjo” não no sentido de ser o anjo mais elevado (chefe entre iguais), mas de ser regente das hostes angelicais (infinitamente maior do que eles). De acordo com I Tim 4:16 a voz do arcanjo é ouvida quando Cristo, o Filho de Deus, chama os mortos. Tendo em vista o fato de que Miguel significa, “Quem é igual a Deus?” e que a rebelião de Satanás era essencialmente um desafio da divindade e prerrogativas de Cristo como o Filho de Deus, o nome é particularmente adequado no contexto do conflito com Satanás, no qual ele sempre ocorre. Veja SDABC, 7:706.” (citado na Encic. ASD, vocábulo Miguel).

 Jesus é identificado com o anjo do Senhor várias vezes no AT:
*Ex 32:24,29-30 e Os 12:4-5;
*Ex 3:1-6;
*Ex 23:20-21 (Mc 2:7);
*Jz 6:14;
*Jz 13:6,21-22;
*Is 63:9;
*Ml 3:1;
O que a bíblia indica é que o anjo do Senhor tinha a missão de guiar a coletividade e agir em prol do povo de Israel (Ex 14:19; 23:20-23; Is 63:9)
O culto aos anjos não é permitido (Cl 2:18; Ap 19:10; 22:8-9);

Conclusão:
 - Há um paralelo que fazem referência à mesma pessoa: Jesus – (I Ts 4:16 e - Jo 5:28-29);
- Jesus é descrito como líder dos anjos (I Pd 3:22);
- Os anjos adoram Jesus, o Miguel [semelhante a Deus] (Fp 2:10; Hb 1:6);
- Cristo é maior que os anjos (Hb 1:4; Ef 1:21).
O Arcanjo Miguel não pode ser um anjo, pois os anjos são seres criados (Cl 1:16).

PERGUNTA 22 - Deus se importa com os animais?

1. Observações importantes: *Deus criou todos os animais (Gn 1; Jr 27:5); *Todos os animais são propriedade de Deus (Sl 50:10);...